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27 de set. de 2012

Pescaria.

Mais um dia dentro do busão, voltando pra casa, após o trampo.
Chovia, e o trânsito não ajudava muito.
Tudo parado!
[20h17min.]
Lá pelo meio do caminho um rapaz - de seus 20 anos - chamou minha atenção ao subir no coletivo. Meio cabisbaixo, o jovem veio com o celular na mão e resmungando, balançando a cabeça.
Minutos depois, ele quebrou o 'silêncio' das buzinas.

- Oi Maria. A mamãe tá em casa?
...
- Diga pra ela que eu já saí da entrevista, e que eu já tô indo pra casa. Quando chegar aí conversamos com calma.
A mãe com toda certeza já devia estar na espera do telefonema, ansiosa.
- Mãe? Oiiii!! - responde o rapaz com voz de desânimo.
- Então, essa não foi a melhor entrevista que eu já fiz.
...
- Não, sério. Era uma banca entrevistando! O diretor geral, diretor de arte e o redator...os 3 participaram do treco.
Ele respirou e continuou:
- Os caras não olharam muito pro material e me perguntaram sobre o antigo trabalho. Junto comigo ainda tinham mais dois caras que também tentavam a vaga. Acho que não vai dar pra mim, mãe! Não senti, sabe.
Ele disse tchau e desligou. Passou dois minutos olhando pela janela com um olhar perdido, cheio de tristeza e desânimo.

Nessa hora me bateu uma vontade enorme de sentar ao lado dele.
Deu vontade de sentar lá, olhar pra ele e dizer: cara, eu entendo exatamente o que você tá sentindo.
Vontade de dizer pro João, ou Maurício talvez, que aquilo ali é necessário mas que logo logo tudo se resolve. Que sonhar em 'pegar' tubarões valem horas de pescaria.
Confessar pra ele que eu também já subi no mesmo ponto (que fica bem em frente a duas grandes agências aqui em sp), na mesma linha, com aquela sensação.
Tentar levantar a bola, e não lembrar quão cansativo é essa batalha.

Não fui. Não falei.

Cheguei em casa ainda lembrando do rapaz, e pensando em tudo que já ouvi e vi por aqui desde que cheguei.
Me peguei olhando pra uma Nayana de quase 1 ano atrás, bem mais deslumbrada e menos teimosa.
Se hoje tenho a certeza do que anseio - onde quero chegar - é por que assim como o Arthur, ou Alberto, levei muitos NÃOs e tapinhas nas costas.
É chato, mas vale.

Espero um dia encontrar o Pedro por aí, quem sabe em outro busão ou até atuando juntos profissionalmente. Afinal de contas, a pescaria continua.
E uma hora a gente consegue pescar como gente grande!

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